Foi no dia 25 de Setembro quando já a lua se avistava, que começamos a nossa caminhada, que subimos alto … alto na vida.
Caminhávamos já de barriga cheia não só de comida mas como de momentos, de cantigas, de conhecimentos!
Entre conversas e partilhas, com as pernas caminhámos e com o coração falávamos. Partilhámos gostos, gestos, momentos e sentimentos. Demos, demos de nós e criámos um “nós”. Primeiro um trio, depois a pares e depois … depois com Ele. Foi assim que fizemos a nossa caminhada, com conversas e silêncio, com paragens e reflexões.
Foi, foi certamente o silêncio das palavras que nos fez caminhar, que nos fez chegar ao topo, que nos fez estar atentos e ouvir passos, passos de vida. Passos de anos, passos de meses, passos de descobertas! Cada vez mais os ouvia, cada vez mais sentia que os compreendia. Simples passos, que me contaram histórias, desvendaram mistérios e sim, me fizeram largar uma lágrima. Passos, com experiências de vida, passos com vida! Passos com vontade, com força, com ideais … passos, com futuro!
Chegámos, cheguei feliz. Consegui, conseguimos! Foi tudo tão fantástico, tão sentido, que eram duas da manhã que sem que nada faltasse, tivemos uma pequena celebração, claro está, pelo Pe. Filipe.
Dormir … dormir muito pouco! Seis da manhã e já de pé, para ver nascer o sol. Questionar-se-ão se não seria cedo demais, mas os nossos meteorologistas não são de qualidade! A verdade é que o vimos nascer, uma hora depois, é certo … mas vimos!
Fez-se silêncio e observa-mos, para mim, um dos melhores fenómenos naturais! Naquele momento senti que não “nascia” apenas o Sol, mas nascia algo mais, algo inexplicável. Um “valeu a pena”, sentiu-se!
Seguiu-se o pequeno-almoço, uma pequena partilha e informações do que iria ser o ano e depois, depois voltamos para as nossas vidas que foram “interrompidas” por belas horas de ausência!
Posso dizer que sim, podemos dizer que sim, que subimos alto! Que conquistámos sorrisos, conquistámos confiança e acreditámos! Podemos ainda mais dizer que xpto não é apenas um clube, mas um modo de vida!
Um começo, decerto, inesquecível.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
“O Verdadeiro Toque” das Estrelas sem casa
Na noite de 12 de Dezembro de 2008 o Clube XPTO despertou sentimentos por pessoas que merecem mais de nós.
Agasalhos, comida e amor transportámos para cada um deles. Em cada gesto existia uma lágrima de Paz, uma alegria de Ajuda e uma tristeza de Solidão.
A Comunidade de Sant`Egídio recebeu-nos carinhosamente para mais um acto de serviço aos sem-abrigo, pondo-nos à vontade para ser quem somos, entregando-nos aos outros e despertando o bem que há em nós.
Numa noite fria, rosto sem-abrigo, mas pior que isso sem afecto, olhavam com desconfiança deixando um olhar de esperança. Ao perceberem que caminhávamos ao lado da comunidade os seus olhos abriam-se, demonstrando felicidade e conforto, sabendo eles que connosco podiam falar, serem compreendidos e sentirem um ombro amigo.
Naquela noite estrelada, as verdadeiras estrelas foram eles, porque cada um de nós cresceu e deu valor a cada sorriso e a cada toque.
O adeus no ar pairou e a saudade connosco ficou, no regresso a casa, um novo eu em nós permaneceu.
Clube XPTO
Agasalhos, comida e amor transportámos para cada um deles. Em cada gesto existia uma lágrima de Paz, uma alegria de Ajuda e uma tristeza de Solidão.
A Comunidade de Sant`Egídio recebeu-nos carinhosamente para mais um acto de serviço aos sem-abrigo, pondo-nos à vontade para ser quem somos, entregando-nos aos outros e despertando o bem que há em nós.
Numa noite fria, rosto sem-abrigo, mas pior que isso sem afecto, olhavam com desconfiança deixando um olhar de esperança. Ao perceberem que caminhávamos ao lado da comunidade os seus olhos abriam-se, demonstrando felicidade e conforto, sabendo eles que connosco podiam falar, serem compreendidos e sentirem um ombro amigo.
Naquela noite estrelada, as verdadeiras estrelas foram eles, porque cada um de nós cresceu e deu valor a cada sorriso e a cada toque.
O adeus no ar pairou e a saudade connosco ficou, no regresso a casa, um novo eu em nós permaneceu.
Clube XPTO
Alegoria da Areia
... Olhei e vi a humanidade como uma grande multidão numa grande praia. Todos estavam muito ocupados a fazer esculturas de areia. Cada um, absorto no seu trabalho, edificava coisas muito variadas. Alguns construíam castelos minúsculos, com muralhas, portas e pontes. Outros moldavam figuras de animais ou pessoas. Havia os que escavavam túneis e os que inventavam imagens originais. Muitos juntavam-se em grandes grupos e erigiam enormes construções.
Ao princípio tudo aquilo me pareceu uma imensa tolice. O que estava aquela gente a fazer ali, tão
atarefada em trabalho tão fútil? Mas depois percebi que era a ânsia de imortalidade que os impelia. Cada imagem, por muito variada que fosse, guardava sempre uma semelhança com o escultor. Ao fazer a sua construção, cada um punha lá algo de si. A estátua era a forma de perpetuar a sua presença e, de certo modo, a sua existência. É verdade que sendo de areia, a perenidade e a duração eram muito reduzidas. Mas era o melhor que cada um podia fazer.
Notei também que se levantavam rixas entre eles. A afirmação pessoal de cada um embatia com a dos outros. O espaço era pequeno para tanta gente e era normal que pisassem ou chocassem com o trabalho alheio, que se esboroava. Também as comunidades grandes investiam contra os edifícios das redondezas para alargarem o seu espaço. Então havia discussões, bandos que atacavam, areia a voar, gente atropelada e zonas arrasadas. Alguns chegavam a atirar pessoas ao mar, onde se afogavam. Assim, grande parte do tempo era gasto, não a modelar a areia, mas a proteger as esculturas com fossos, dunas e barreiras humanas.
Notei também que se levantavam rixas entre eles. A afirmação pessoal de cada um embatia com a dos outros. O espaço era pequeno para tanta gente e era normal que pisassem ou chocassem com o trabalho alheio, que se esboroava. Também as comunidades grandes investiam contra os edifícios das redondezas para alargarem o seu espaço. Então havia discussões, bandos que atacavam, areia a voar, gente atropelada e zonas arrasadas. Alguns chegavam a atirar pessoas ao mar, onde se afogavam. Assim, grande parte do tempo era gasto, não a modelar a areia, mas a proteger as esculturas com fossos, dunas e barreiras humanas.
Percebi que este problema depressa se tomava decisivo. Havia muitas pessoas que desistiam de se expressar pela escultura para guardarem as esculturas dos seus próximos. Outros, mais teimosos, cavavam buracos no chão e era no fundo deles que se dedicavam ao seu minúsculo castelo.
Foi então que notei uma coisa terrível: a areia deslizava lentamente para a água. Era um movimento quase imperceptível, mas inexorável: a praia estava inclinada e ia avançando para o mar. Mesmo os que conseguiam manter intactas as suas construções acabavam por perdê-las quando, vagarosamente, o seu pedaço de praia chegava às ondas impiedosas. Nessa altura, confrontado com a multidão atrás de si, também o construtor se via obrigado a mergulhar. Assim, junto à praia havia muitas pessoas, nadando, chapinhando ou boiando que, pressionadas pela chegada contínua de mais gente, acabavam por se afastar e afundar.
Ouvi então um grito:
«Esqueçam a praia. Nós somos do mar.»
«Esqueçam a praia. Nós somos do mar.»
Era um homem que falava. Vi que havia vários como ele, que não ligavam à areia e andavam por ali a conversar com todos. «- Vivam - diziam eles. - Não se esqueçam de viver!» Afirmavam que as construções de areia eram só isso mesmo, construções na areia que desapareciam e nada restava. Em vez delas, anunciavam um grande navio que estava ao largo e os salvaria. E prometiam uma vida de felicidade quando chegassem à nação dos navegadores.
«- Nós somos pescadores esquecidos aqui, nesta praia. Arrependei-vos, mudai de vida, convertei-vos de novo em marinheiros.»
Ser marinheiro, segundo eles, significava cooperar com os outros em ajuda mútua. Diziam que se devia ajudar toda a gente; até os que insistiam em fazer estátuas de areia. Não porque a areia fosse importante, mas porque ajudá-los significava viver já na amizade de navegantes, que só seria perfeita no navio. Assim, ainda na praia, se podia participar já da vida de pescador. Aos que chegavam às ondas, mesmo que não lhes tivessem dado ouvidos antes, eles incentivavam-nos a que nadassem no sentido da grande embarcação, para se salvarem.
Olhei para a zona do mar que eles apontavam e vi uma grande nuvem. O oceano estava coberto de nevoeiro e não se conseguia ver longe. Muitos dos que estavam na praia, nos intervalos do seu trabalho na areia, especulavam sobre o que estaria atrás do nevoeiro. E não faltavam os que riam das palavras dos pescadores.
A minha visão da praia foi-se esbatendo. Mas, no último momento, ainda com os olhos cravados na nuvem, fiquei com a sensação clara de que talvez ali houvesse mesmo um navio.
JOÃO CÉSAR DAS NEVES, Alegoria da areia, in Autos de Natal, Lucema, pp. 53-55
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
'Tamos à frente !
Xer diferente
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Tar à frente
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O Homem XPTO é aquele que luta pela construção de um mundo melhor. Solidário, prestável. O Homem XPTO é aquele que acredita no AMOR. É, acima de tudo, o que faz as coisas com amor. Não, não nos referimos ao amor carnal, ao amor entre um homem e uma mulher. Referimo-nos sim, ao amor desinteressado, fazer as coisas com gosto e não por obrigação - em suma, partilhar um pouco de nós !
Este nosso clube tenta fazer um esforço neste sentido - no da partilha e da construção de um mundo melhor. Promovemos diversas actividades junto dos alunos mais novos, realizamos acções de voluntariado e reflectimos sobre o mundo que nos rodeia.
Por isso nós XOMOS DIFERENTES, PARTILHAMOS, 'TAMOS À FRENTE e OUSAMOS... tornar o mundo melhor.
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